14 junho 2006

Monólogos de Todd [ Introduções ao desenho da HBO]

Para quem se lembra, McFarlane aparecia antes de cada episódio e falava umas frases, abaixo segue um resumo de todas:

E se, na hora de sua morte,
uma voz das trevas lhe oferecesse
a chance de viver de novo?
Não há tempo para pensar.
Seu coração já parou.
Qual a resposta?

Espero que pense nisso.
Al Simmons não o fez.
Ele nem pestanejou para aceitar.

Al tinha qualidades que desconhecia.
Algo que o Inferno deseja.
Quando ele disse 'sim',
o que recebeu não foi bem o que queria.
Se um dia você ouvir a voz das trevas,
pense bem,
pois terá toda a eternidade
para lamentar sua escolha.

Você sabe mesmo
a diferença entre o Bem e o Mal?
Nessa sua vida de trabalho,
passar nas provas,
fazer amor?
Pode seguramente distinguir
as forças da Luz das do Mal?

Para mim,
nada na vida é apenas preto ou branco.
O Bem sempre tem algo do Mal,
e vice-versa.
Vejam o Spawn:
um assassino em vida,
um soldado do Inferno depois de morto.
Nada cristão.
Se pensar que fez sua escolha por amor,
pelo seu país e por sua esposa,

vai perceber que ele é como nós.
Um coitado na corda bamba,
com o Inferno numa ponta,
o Céu na outra,
e ele no meio, tentando não ser pego.

Entre passear sozinho
no carrossel do Inferno
e ver passivamente

sua esposa dormir com outro,
o que você escolheria?

O cenário que lhes propus é cruel?
Talvez.
Mas o Inferno não é moleza.
É assim que o Inferno mostra a Spawn
que lá não é só um lugar,
mas um estado de espírito.

Fogo, apesar de doloroso,
não é único modo de Malebólgia queimá-lo.
Spawn está aprendendo,
mas os tentáculos negros do Mal
já estão se espalhando.
Verão que o Inferno está vivo
e bem ativo na Terra.

Você crê em causa e efeito?

Se um copo cair, ele quebra?
Se riscar um fósforo, ele acende?
O que você fizer nesta vida,
vai pagar em outra?
Eu acredito.
Spawn também está aprendendo isso.
Apesar de ele querer evitar,
escondendo-se, dormindo...
ele fez um pacto,

e agora os dominós estão caindo.
Ele só pode culpar a si mesmo...
e a mim.

Você reconheceria o demônio?
Seu rosto, seus olhos...
Sentiria um calafrio em sua presença?
Ou acha que ele é vermelho,
com chifres e rabo?

O verdadeiro Mal não é o que esperamos.
Às vezes é grotesco, outras vezes lindo.
Às vezes é um mafioso,
ou um padre,
até o sorveteiro.
Até eu posso ser o Mal.
Assustador, não?

O verdadeiro Mal
sussurra o que queremos ouvir.
E, quando aparece,
diz para não fazermos nada.
Assim está Spawn:
escondido,
fazendo absolutamente nada.

Acham que assassinos devem ser mortos?

E, se os matamos,
aumentamos ou reduzimos o Mal?

Podem responder isso?
Spawn precisa fazê-lo.
Verão que é a hora da verdade
e ele ainda tem suas dúvidas.
Se ele decidir pelo certo,
talvez o Bem ganhe.

Se optar pelo errado...
bom, vocês sabem a resposta, não?
Vão saber.

Traição.
O pior é ser traído por alguém
conhecido, íntimo,
aquele seu amigo
a quem você confiaria a vida.

No caso de Al Simmons,
a derradeira traição
foi ser torrado por um lança-chamas.
O cara que puxou o gatilho,
em que ele confiava,
sorriu ao vê-lo em chamas.

Al Simmons morreu
e fez um pacto com o Inferno.

Ceifaria muitas almas
para voltar para sua esposa.
Ele retornou,
mas degenerado pela morte
e desfigurado.
Mais uma sacanagem:
Al teve que esperar cinco anos.
Quando voltou,
seu amor continuara com a vida

e se casara com o seu melhor amigo.
Tudo não passa de uma piada sádica.
Mas Al não está rindo.

Com vocês: Spawn.
Apaguem as luzes...