03 maio 2007

Spawn pela Pixel Media – 1 ano depois

No final de 2005 os fãs de Spawn receberam uma notícia que abalou os nervos por muito tempo: depois de 9 anos, a revista em formato americano de maior longevidade do Brasil estava para acabar: Spawn 150 seria a última edição lançada pela Editora Abril. Depois que a Abril perdeu terreno para outras editoras, Spawn era a única revista no estilo super-herói que fazia parte da empresa, e em uma decisão editorial decidiu cancelar a revista, que possuía um público considerável no Brasil. A notícia soou como uma bomba e foi amplamente divulgada pelos sites da Internet e, principalmente, na comunidade Spawn Brasil no Orkut. Na época eu era apenas um membro da comunidade, mas mesmo assim organizei um movimento para fazer com que alguma editora pudesse se interessar em continuar as aventuras de Spawn no Brasil. As respostas das maiores editoras do Brasil era sempre a mesma: Spawn não está nos nossos planos no momento. A batalha parecia perdida e a única coisa a fazer era aguardar a fatídica edição que sairia em dezembro e a seguir tentar encomendar os números seguintes em gibiterias e importadoras, uma prática que é inviável para a maioria dos leitores. A edição 150 saiu e transformou-se em uma das maiores decepções que a Abril fez com os leitores de quadrinhos. Vários problemas transformaram a edição em um fiasco, a começar com o preço que estava acima da tabela, apesar do número de páginas ser maior, mas não era justificativa. O segundo ponto foi que a edição original tinha 4 capas diferentes, porém duas delas foram publicadas ridiculamente em miniaturas. A terceira decepção foi o fato da Abril ter cancelado a revista justamente na melhor saga que Spawn já teve, mas nada foi pior do que a "despedida" para os fãs.
Publicada na última página da revista, na seção do expediente em uma fonte tamanho 8, estava a minúscula mensagem direcionada para os leitores: "Esta é última edição de Spawn publicada pela Editora Abril". Tamanha foi a indignação que procurei Emerson Agune, editor na revista na época, através do Orkut. Mas ele, como forma de prevenção, colocou uma mensagem de resposta para quem quisesse reclamar sobre o fim da revista, depois disto nunca mais foi visto. Uma porta-voz da Abril na época veio até a comunidade e tentou amenizar a situação, dizendo que realmente a redação havia feito um descaso com os leitores que os acompanharam por tanto tempo.
O tempo foi passando e só ficávamos sabendo de novidades da revista através do site oficial e de scans que alguns membros da comunidade Spawn Brasil estavam adquirindo e compartilhando com os demais, porém nenhuma novidade sobre alguma editora para manter Spawn no Brasil. Vários e-mails juntos com o meu foram enviados e a resposta sempre era a mesma, até que em janeiro de 2006 surgiu uma nova editora de quadrinhos no Brasil. Ela se chamava Pixel Media Editora, uma parceria entre as editoras Ediouro, famosa pelas revistas de palavras-cruzadas Coquetel, e a Futuro Comunicações, responsável pelo site Herói. Vendo uma nova editora surgir, a esperança mais uma vez retornou, até que saiu a notícia que todos estavam esperando: Spawn retornaria às bancas em abril (seria uma coincidência?) de 2006 a partir de onde parou. Na época o editor Odair Braz Jr. visitou a comunidade (na época eu já era o moderador) várias vezes para consultar o que os fãs queriam, como se a edição seria zerada, se seria quinzenal e vários outros itens. Só pelo fato de alguém "da cúpula" vir consultar os leitores já era um ponto a favor.
Vinte e quatro de abril de 2006. Esta foi a data de lançamento de Spawn, que sairia de forma setorizada, e seria feito um evento de lançamento no Barra Shopping, localizado na Barra da Tijuca, cidade do Rio de Janeiro. Lá seria exibido o filme "Spawn, O Soldado do Inferno" e a seguir o diretor de Marketing da Pixel Hélio Eduardo Lopes e o Consultor Rodrigo Fonseca bateriam um papo com os fàs e contariam a história de evolução de Spawn através dos tempos. Mas para mim, a bomba veio antes com o convite do próprio Odair para que eu participasse também da palestra, falando um pouco de como é ser um grande fã do personagem. Apesar de poucas pessoas, a palestra foi positiva e quem esteve lá ganhou um mini-pôster das duas capas da edição 151, além de adquirir em primeira mão a nova revista. Alguns dias depois foi a vez de São Paulo, na loja de quadrinhos Comix, receber os fãs de quadrinhos para o lançamento de Spawn e ver uma exposição de Action Figures ligadas ao personagem. Quem foi nos dois eventos recebeu de brinde um mini-pôster das capas originais da edição 151 (o meu tá guardadinho aqui...).
De lá para cá, várias novidades vieram, como a entrevista com David Hine (que inclusive fiquei muito feliz em participar), os pôsteres lançados na edição 160, as novidades na nova seção Sucursal do Inferno e, acima de tudo, a interação dos Odair e Cassius com os fàs da comunidade, que agora possui um link dentro da própria revista, além da Pixel ter a sorte de estar publicando Spawn em sua melhor fase, trazendo inclusive vários leitores de volta. Como forma de divulgar novidades e curiosidades da saga de Spawn, este blog, o Spawn Alley, se reformulou e, junto com o criador, Alt3rna, estamos sempre trazendo novidades para os sedentos pelos quadrinhos de Todd McFarlane.
Hoje, fazendo um balanço depois de um ano de publicação, só podemos ter um saldo positivo pois a revista ficou muito melhor, os editores sempre estão dispostos a responder às dúvidas, temos vários novos lançamentos vindo por aí, como os especiais Godslayer e Shadows of Spawn - que teve até campanha positiva na comunidade - e, acima de tudo, temos a certeza de que Spawn está em boas mãos na Pixel Media, o que nos leva a pensar e fazer a seguinte pergunta: por que a Pixel não surgiu há 10 anos atrás?
Valeu Odair, Cassius, Hélio e aos demais da Pixel Media Editora.