16 dezembro 2008

Novas Notícias sobre Spawn e a Pixel Media

Desde o dia 11 desde mês muito estão querendo obter notícias de como será o futuro da Pixel Media após a saída de Cassius Medauar, editor que a conduziu por quase 2 anos. Alguns dias depois do ocorrido consegui entrar em contato com Odair Braz Jr., primeiro editor da Pixel. Ele me informou que sempre houve um embate entre os editores e a Ediouro, editora carioca sócia da Futuro. Ele acha que após a saída de Cassius dificilmente a Ediouro vai se manter no ramo dos quadrinhos por falta de pessoas experientes na empresa e não faz sentido continuar vendendo quadrinhos com a saída do editor. Mesmo se permanecer, talvez só lance quadrinhos sem periodicidade fixa, como Sandman e Corto Maltese. Já as séries mensais Pixel Fábulas, Pixel Magazine e Spawn dificilmente continuarão em 2009.

Sobre a multa rescisória da DC Comics sobre o não-cumprimento do contrato de 5 anos, ele acha que a Ediouro deve analisar. Se o valor da multa for equiparado aos gastos de produção dos quadrinhos, então eles devem pagá-la ao invés de arriscar lançar novas revistas já que editora está começando a decair. O mesmo vale para Spawn, já que o seu contrato é bem recente.

Também perguntei a ele sobre o que ele achava dos títulos Vertigo, Wildstorm, ABC e Spawn irem para outra editora, como a Panini por exemplo. Ele acha realmente que a editora paulista deve obter a linha adulta da DC, mas não deve lançar com regularidade, lançando apenas alguns títulos ocasionais. No caso de Spawn, ele me informou que é um produto que deve interessar às demais editoras pois na época em que ele assinou o contrato com a TMP duas outras editoras (provavelmente Panini e Mythos) estavam em disputa pela sua aquisição, porém a Pixel conseguiu levar vantagem.

Também consegui entrar em contato com o Cassius Medauar. Por enquanto ele vai realmente entrar “de férias” e continuará dando assistência à Pixel como editor freelancer, mas não estará à frente das publicações. Segundo ele, Spawn deve continuar, mas não tem certeza sobre outras publicações, como o caso de Spawn Mangá (cuja a renovação de contrato já contava com esta revista para o ano que vem) e a série Spawn: Godslayer, cujo especial foi lançado ano passado pela Pixel. Ele afirmou também que antes de sua saída, os novos volumes de Fábulas Pixel e Pixel Magazine já estavam fechados, porém ainda não sabe se serão lançados este mês.

Perguntado sobre a possibilidade dele ir para outra editora, disse que por enquanto pretende ficar com a família por um tempo. Já os motivos de sua saída realmente foi sobre não concordar com algumas políticas adotadas pela Ediouro em relação aos títulos publicados.

E por último, consegui, finalmente, entrar em contato com Dayana Faria do Serviço de Atendimento ao Consumidor da Ediouro através de e-mail. Perguntei a ela sobre os novos rumos da Pixel, a saída de Cassius Medauar e a possibilidade de falência da editora. Eis a primeira resposta oficial da Ediouro depois dos acontecimentos:

Prezado Sr. Leandro Cruz,

A Pixel continuará normalmente, mas com periodicidade de lançamentos ajustada ao momento econômico.

Agradecemos o contato e disponha sempre do nosso atendimento.

Atenciosamente,
Dayana Faria
SAC - Livros
Ediouro Publicações

Agora vem a questão: o que significa “momento econômico”? Seria sobre a crise financeira que a Pixel está começando a apresentar?

Deixo esta questão para vocês.

12 dezembro 2008

O silêncio que precede o esporro

Depois de um bom tempo sem postar, quebro a pausa pra trazer noticias nada boas. Cassius Medauar, editor da revista mensal, caiu fora. E apareceram por ai informações de que a Pixel Media vai reformular sua linha editorial. Confere esse trecho saido do Omelete:


A informação ainda carece de detalhes, mas tudo indica que as duas excelentes revistas mensais mix da editora, Pixel Magazine e Fábulas Pixel, não devem entrar em 2009. Já Spawn teve seu contrato renovado, mas a continuidade de sua publicação também é incerta.
Já que estamos no Inferno, só nos resta abraçar o capeta.

O fim de Spawn no Brasil (novamente)?

O mundo dos quadrinhos brasileiros amanheceu nesta quinta-feira, 11 de dezembro, com uma notícia que abalou todos os alicerces em que ele se sustenta: Cassius Medauar, editor-chefe da Pixel Media, eleita a melhor editora de 2007 pelo HQMix, acabava de se despedir dos leitores que o têm acompanhado nestes dois anos. Sua carta de despedida, melancólica, encheu de tristeza, revolta e incertezas que a lia no site da Pixel. O editor, que se destacou por estar sempre em sintonia com o que o fã de quadrinhos gostaria de ler, respondia a todos com maior boa vontade e sempre procurou mostrar o seu lado “fã”, deixou bem claro que por divergências estava deixando a editora. Com sua saída, tudo é incerto a partir de agora.

O leitor de quadrinhos se modernizou depois da chegada da Pixel. Pela primeira vez em muito tempo os fãs puderam ler histórias diferentes que não envolvessem personagens em roupas coloridas e sim aventuras mais adultas e instigantes. Títulos como 100 Balas, Promethea, Authority e Planetary começaram a ficar no cotidiano das rodas de HQs, quebrando Marvel/DC que parecia imperar.


Mas as coisas começaram a ficar diferentes no paraíso que era a Pixel.
Os primeiros rumores vieram com a saída de Odair Braz Jr., primeiro editor da Pixel que deixou muitos órfãos, mas que foi bravamente substituído pelo Cassius, até então editor-assistente.
O próximo golpe foi o atraso de vários títulos e cancelamento de outros. Um dos casos mais notórios foi o encadernado A Saga do Monstro do Pântano, muito aguardado pelos fãs, mas que não passou pelo número 1.

A seguir, outra baixa: André Forastieri, dono da Futuro, empresa parceira da Ediouro, acabava de vender sua parte e a editora carioca assumia 100% das ações da área de quadrinhos. As nuvens começaram a ficar cinzentas neste ponto.

O próximo golpe foi a total reformulação de quadrinhos. Títulos foram cancelados, os atrasos pareciam ser maiores e apesar das explicações de Cassius, quase todo mundo já sabia: havia algo de errado com a Pixel.

E hoje, a concretização; a editora perde um editor que fez e fará história no mundo dos quadrinhos. Nenhum editor, seja da Abril, Conrad, Devir ou qualquer outra, tenha tido o carisma e a atenção com que o Cassius nos mostrou. Além do que, junto com ele, eis uma prova do quanto a editora foi diferente das outras: este humilde escriba que tecla este texto.

Eu, que era apenas um colecionador de quadrinhos, porém profundo conhecedor do universo de Spawn, tinha acabado de assumir a comunidade Spawn Brasil quando algo terrível aconteceu: Spawn tinha sido cancelado pela editora Abril. Rapidamente organizei um movimento para fazer com que alguma editora pudesse continuar com suas histórias por aqui, mas nenhuma das grandes aceitou, até que surgiu a Pixel e continuou com as aventuras do ponto onde parou.
Na época entrei em contato com a Pixel parabenizando a iniciativa e apresentando a comunidade Spawn Brasil. Não tardou para que o Odair, junto com o Hélio Diniz, gerente de marketing da editora, me convidassem para participar de uma palestra no Barra Shopping aqui do Rio no lançamento de Spawn. Foi o primeiro salto.

O segundo foi quando o próprio Odair me convidou para fazer uma entrevista com David Hine. Nunca senti uma emoção tão grande. Eu, um nerd de plantão, acabava de ter minha primeira participação na revista! Algum tempo depois, agora com o Cassius, propus para ele uma série de matérias sobre os antigos personagens de Spawn para que os novos fãs os conhecessem. Ao invés de negar, o Cassius viu ali algo interessante e simplesmente disse: “Manda para mim pois vou publicar”.

Foi então que tive minha primeira matéria na revista, falando sobre a bruxa Nyx, De lá para cá vieram outras, mas o que importa é que o Cassius deu atenção não a um jornalista ou alguém experiente na área. Era apenas Leandro Cruz, o Leo Violador, um fã.

Hoje, sinto como parte de mim também estivesse indo embora com o Cassius, pois sei que, com sua saída, os rumos do Soldado do Inferno são incertos. Possivelmente não poderei contribuir com mais matérias para os fãs ou ter minha voz ouvida à frente dos leitores, mas desejo que o próximo editor (se houver) possa ser um décimo do que o Odair ou o Cassius foram, principalmente com minha pessoa.

O destino de Spawn é incerto. O destino da Pixel é incerto. O destino do próprio quadrinho brasileiro é incerto. Só nos resta torcer para Spawn possa permanecer no Brasil, seja na Pixel ou em outra editora onde, provavelmente, terei que recorrer a outro abaixo-assinado.
Valeu, Cassius! A equipe do Spawn Alley e os membros da comunidade Spawn Brasil deseja a você toda a sorte do mundo pois você foi um soldado (não do Inferno) que lutou o bom combate em prol do melhor para os quadrinhos. Um grande abraço