12 dezembro 2008

O fim de Spawn no Brasil (novamente)?

O mundo dos quadrinhos brasileiros amanheceu nesta quinta-feira, 11 de dezembro, com uma notícia que abalou todos os alicerces em que ele se sustenta: Cassius Medauar, editor-chefe da Pixel Media, eleita a melhor editora de 2007 pelo HQMix, acabava de se despedir dos leitores que o têm acompanhado nestes dois anos. Sua carta de despedida, melancólica, encheu de tristeza, revolta e incertezas que a lia no site da Pixel. O editor, que se destacou por estar sempre em sintonia com o que o fã de quadrinhos gostaria de ler, respondia a todos com maior boa vontade e sempre procurou mostrar o seu lado “fã”, deixou bem claro que por divergências estava deixando a editora. Com sua saída, tudo é incerto a partir de agora.

O leitor de quadrinhos se modernizou depois da chegada da Pixel. Pela primeira vez em muito tempo os fãs puderam ler histórias diferentes que não envolvessem personagens em roupas coloridas e sim aventuras mais adultas e instigantes. Títulos como 100 Balas, Promethea, Authority e Planetary começaram a ficar no cotidiano das rodas de HQs, quebrando Marvel/DC que parecia imperar.


Mas as coisas começaram a ficar diferentes no paraíso que era a Pixel.
Os primeiros rumores vieram com a saída de Odair Braz Jr., primeiro editor da Pixel que deixou muitos órfãos, mas que foi bravamente substituído pelo Cassius, até então editor-assistente.
O próximo golpe foi o atraso de vários títulos e cancelamento de outros. Um dos casos mais notórios foi o encadernado A Saga do Monstro do Pântano, muito aguardado pelos fãs, mas que não passou pelo número 1.

A seguir, outra baixa: André Forastieri, dono da Futuro, empresa parceira da Ediouro, acabava de vender sua parte e a editora carioca assumia 100% das ações da área de quadrinhos. As nuvens começaram a ficar cinzentas neste ponto.

O próximo golpe foi a total reformulação de quadrinhos. Títulos foram cancelados, os atrasos pareciam ser maiores e apesar das explicações de Cassius, quase todo mundo já sabia: havia algo de errado com a Pixel.

E hoje, a concretização; a editora perde um editor que fez e fará história no mundo dos quadrinhos. Nenhum editor, seja da Abril, Conrad, Devir ou qualquer outra, tenha tido o carisma e a atenção com que o Cassius nos mostrou. Além do que, junto com ele, eis uma prova do quanto a editora foi diferente das outras: este humilde escriba que tecla este texto.

Eu, que era apenas um colecionador de quadrinhos, porém profundo conhecedor do universo de Spawn, tinha acabado de assumir a comunidade Spawn Brasil quando algo terrível aconteceu: Spawn tinha sido cancelado pela editora Abril. Rapidamente organizei um movimento para fazer com que alguma editora pudesse continuar com suas histórias por aqui, mas nenhuma das grandes aceitou, até que surgiu a Pixel e continuou com as aventuras do ponto onde parou.
Na época entrei em contato com a Pixel parabenizando a iniciativa e apresentando a comunidade Spawn Brasil. Não tardou para que o Odair, junto com o Hélio Diniz, gerente de marketing da editora, me convidassem para participar de uma palestra no Barra Shopping aqui do Rio no lançamento de Spawn. Foi o primeiro salto.

O segundo foi quando o próprio Odair me convidou para fazer uma entrevista com David Hine. Nunca senti uma emoção tão grande. Eu, um nerd de plantão, acabava de ter minha primeira participação na revista! Algum tempo depois, agora com o Cassius, propus para ele uma série de matérias sobre os antigos personagens de Spawn para que os novos fãs os conhecessem. Ao invés de negar, o Cassius viu ali algo interessante e simplesmente disse: “Manda para mim pois vou publicar”.

Foi então que tive minha primeira matéria na revista, falando sobre a bruxa Nyx, De lá para cá vieram outras, mas o que importa é que o Cassius deu atenção não a um jornalista ou alguém experiente na área. Era apenas Leandro Cruz, o Leo Violador, um fã.

Hoje, sinto como parte de mim também estivesse indo embora com o Cassius, pois sei que, com sua saída, os rumos do Soldado do Inferno são incertos. Possivelmente não poderei contribuir com mais matérias para os fãs ou ter minha voz ouvida à frente dos leitores, mas desejo que o próximo editor (se houver) possa ser um décimo do que o Odair ou o Cassius foram, principalmente com minha pessoa.

O destino de Spawn é incerto. O destino da Pixel é incerto. O destino do próprio quadrinho brasileiro é incerto. Só nos resta torcer para Spawn possa permanecer no Brasil, seja na Pixel ou em outra editora onde, provavelmente, terei que recorrer a outro abaixo-assinado.
Valeu, Cassius! A equipe do Spawn Alley e os membros da comunidade Spawn Brasil deseja a você toda a sorte do mundo pois você foi um soldado (não do Inferno) que lutou o bom combate em prol do melhor para os quadrinhos. Um grande abraço